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	<title>Comentários</title>
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	<description>por J. Gonçalves</description>
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		<title>Comentários</title>
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		<title>PORTO FINAL, PORTUGAL</title>
		<link>http://jgoncalvespref.wordpress.com/2009/03/02/porto-final-portugal/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 15:32:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jgoncalvespref</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Queremos a ilusão grande do mar, multiplicada em suas malhas de perigo. (Cecília Meireles, Mar absoluto) O tempo das caravelas passou, por séculos as velas foram sopradas e dominaram as curvas da ventania. Só vale a direção reta, que não leva aos encontros, esquecidas as magras confluências, desprezados os balões de retorno, os desvios do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=27&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--> <em>Queremos a ilusão grande do mar,</em></p>
<p class="MsoNormal"><em>multiplicada em suas malhas de perigo.</em></p>
<p class="MsoNormal">(Cecília Meireles, <em>Mar absoluto</em>)</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O tempo das caravelas passou,</p>
<p class="MsoNormal">por séculos as velas foram sopradas</p>
<p class="MsoNormal">e dominaram as curvas da ventania.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Só vale a direção reta,</p>
<p class="MsoNormal">que não leva aos encontros,</p>
<p class="MsoNormal">esquecidas as magras confluências,</p>
<p class="MsoNormal">desprezados os balões de retorno,</p>
<p class="MsoNormal">os desvios do mapa simbólico.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Ficaram lá longe os fados e as esposas,</p>
<p class="MsoNormal">as conversas livres, as mesinhas na calçada,</p>
<p class="MsoNormal">os bares informais</p>
<p class="MsoNormal">e os botequins nas esquinas escurecidas pela noite.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Os bons ventos imprimiram os rumos escolhidos,</p>
<p class="MsoNormal">deram sentido às rotas traçadas,</p>
<p class="MsoNormal">dissolveram as forças destruidoras das curvas,</p>
<p class="MsoNormal">marcaram os caminhos desejados.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Barcos sem desvios,</p>
<p class="MsoNormal">o porto final é alcançado,</p>
<p class="MsoNormal">vencidas as calmarias e derrotados os gigantes.<span> </span></p>
<p class="MsoNormal">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jgoncalvespref.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jgoncalvespref.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jgoncalvespref.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jgoncalvespref.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jgoncalvespref.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jgoncalvespref.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jgoncalvespref.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jgoncalvespref.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jgoncalvespref.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jgoncalvespref.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jgoncalvespref.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jgoncalvespref.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jgoncalvespref.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jgoncalvespref.wordpress.com/27/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=27&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Poema do Menino Jesus</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 15:05:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jgoncalvespref</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[poema do menino jesus]]></category>

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		<description><![CDATA[Num meio-dia de fim de Primavera Tive um sonho como uma fotografia. Vi Jesus Cristo descer à terra. Veio pela encosta de um monte Tornado outra vez menino, A correr e a rolar-se pela erva E a arrancar flores para as deitar fora E a rir de modo a ouvir-se de longe. Tinha fugido do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=24&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num meio-dia de fim de Primavera</p>
<p>Tive um sonho como uma fotografia.<br />
Vi  Jesus Cristo descer à terra.<br />
Veio pela encosta de um monte<br />
Tornado outra  vez menino,<br />
A correr e a rolar-se pela erva<br />
E a arrancar flores para as  deitar fora<br />
E a rir de modo a ouvir-se de longe.</p>
<p>Tinha fugido do céu.<br />
Era nosso demais para fingir<br />
De segunda pessoa da  Trindade.<br />
No céu tudo era falso, tudo em desacordo<br />
Com flores e árvores e  pedras.<br />
No céu tinha que estar sempre sério<br />
E de vez em quando de se  tornar outra vez homem<br />
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer<br />
Com  uma coroa toda à roda de espinhos<br />
E os pés espetados por um prego com  cabeça,<br />
E até com um trapo à roda da cintura<br />
Como os pretos nas  ilustrações.<br />
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe<br />
Como as outras  crianças.<br />
O seu pai era duas pessoas -<br />
Um velho chamado José, que era  carpinteiro,<br />
E que não era pai dele;<br />
E o outro pai era uma pomba  estúpida,<br />
A única pomba feia do mundo<br />
Porque nem era do mundo nem era  pomba.<br />
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.<br />
Não era mulher: era uma  mala<br />
Em que ele tinha vindo do céu.<br />
E queriam que ele, que só nascera da  mãe,<br />
E que nunca tivera pai para amar com respeito,<br />
Pregasse a bondade e a  justiça!</p>
<p>Um dia que Deus estava a dormir<br />
E o Espírito Santo andava a voar,<br />
Ele  foi à caixa dos milagres e roubou três.<br />
Com o primeiro fez que ninguém  soubesse que ele tinha fugido.<br />
Com o segundo criou-se eternamente humano e  menino.<br />
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz<br />
E deixou-o  pregado na cruz que há no céu<br />
E serve de modelo às outras.<br />
Depois fugiu  para o Sol<br />
E desceu no primeiro raio que apanhou.<br />
Hoje vive na minha  aldeia comigo.<br />
É uma criança bonita de riso e natural.<br />
Limpa o nariz ao  braço direito,<br />
Chapinha nas poças de água,<br />
Colhe as flores e gosta delas e  esquece-as.<br />
Atira pedras aos burros,<br />
Rouba a fruta dos pomares<br />
E foge a  chorar e a gritar dos cães.<br />
E, porque sabe que elas não gostam<br />
E que toda  a gente acha graça,<br />
Corre atrás das raparigas<br />
Que vão em ranchos pelas  estradas<br />
Com as bilhas às cabeças<br />
E levanta-lhes as saias.</p>
<p>A mim ensinou-me tudo.<br />
Ensinou-me a olhar para as coisas.<br />
Aponta-me  todas as coisas que há nas flores.<br />
Mostra-me como as pedras são  engraçadas<br />
Quando a gente as tem na mão<br />
E olha devagar para elas.</p>
<p>Diz-me muito mal de Deus.<br />
Diz que ele é um velho estúpido e  doente,<br />
Sempre a escarrar para o chão<br />
E a dizer indecências.<br />
A Virgem  Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.<br />
E o Espírito Santo coça-se  com o bico<br />
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.<br />
Tudo no céu é estúpido  como a Igreja Católica.<br />
Diz-me que Deus não percebe nada<br />
Das coisas que  criou -<br />
“Se é que ele as criou, do que duvido.” -<br />
“Ele diz por exemplo,  que os seres cantam a sua glória,<br />
Mas os seres não cantam nada.<br />
Se  cantassem seriam cantores.<br />
Os seres existem e mais nada,<br />
E por isso se  chamam seres.”<br />
E depois, cansado de dizer mal de Deus,<br />
O Menino Jesus  adormece nos meus braços<br />
E eu levo-o ao colo para casa.</p>
<p>… … … … … … … … … … … … … … … … … … …</p>
<p>Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.<br />
Ele é a Eterna Criança, o  deus que faltava.<br />
Ele é o humano que é natural.<br />
Ele é o divino que sorri e  que brinca.<br />
E por isso é que eu sei com toda a certeza<br />
Que ele é o Menino  Jesus verdadeiro.</p>
<p>E a criança tão humana que é divina<br />
É esta minha quotidiana vida de  poeta,<br />
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.<br />
E que o  meu mínimo olhar<br />
Me enche de sensação,<br />
E o mais pequeno som, seja do que  for,<br />
Parece falar comigo.</p>
<p>A Criança Nova que habita onde vivo<br />
Dá-me uma mão a mim<br />
E outra a tudo  que existe<br />
E assim vamos os três pelo caminho que houver,<br />
Saltando e  cantando e rindo<br />
E gozando o nosso segredo comum<br />
Que é saber por toda a  parte<br />
Que não há mistério no mundo<br />
E que tudo vale a pena.</p>
<p>A Criança Eterna acompanha-me sempre.<br />
A direcção do meu olhar é o seu dedo  apontado.<br />
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons<br />
São as cócegas  que ele me faz, brincando, nas orelhas.</p>
<p>Damo-nos tão bem um com o outro<br />
Na companhia de tudo<br />
Que nunca pensamos  um no outro,<br />
Mas vivemos juntos e dois<br />
Com um acordo íntimo<br />
Como a mão  direita e a esquerda.</p>
<p>Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas<br />
No degrau da porta de  casa,<br />
Graves como convém a um deus e a um poeta,<br />
E como se cada  pedra<br />
Fosse todo o universo<br />
E fosse por isso um grande perigo para  ela<br />
Deixá-la cair no chão.</p>
<p>Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens<br />
E ele sorri porque  tudo é incrível.<br />
Ri dos reis e dos que não são reis,<br />
E tem pena de ouvir  falar das guerras,<br />
E dos comércios, e dos navios<br />
Que ficam fumo no ar dos  altos mares.<br />
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade<br />
Que uma  flor tem ao florescer<br />
E que anda com a luz do Sol<br />
A variar os montes e os  vales<br />
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.</p>
<p>Depois ele adormece e eu deito-o.<br />
Levo-o ao colo para dentro de casa<br />
E  deito-o, despindo-o lentamente<br />
E como seguindo um ritual muito limpo<br />
E  todo materno até ele estar nu.</p>
<p>Ele dorme dentro da minha alma<br />
E às vezes acorda de noite<br />
E brinca com  os meus sonhos.<br />
Vira uns de pernas para o ar,<br />
Põe uns em cima dos  outros<br />
E bate palmas sozinho<br />
Sorrindo para o meu sono.</p>
<p>… … … … … … … … … … … … … … … … … … …</p>
<p>Quando eu morrer, filhinho,<br />
Seja eu a criança, o mais pequeno.<br />
Pega-me  tu ao colo<br />
E leva-me para dentro da tua casa.<br />
Despe o meu ser cansado e  humano<br />
E deita-me na tua cama.<br />
E conta-me histórias, caso eu  acorde,<br />
Para eu tornar a adormecer.<br />
E dá-me sonhos teus para eu  brincar<br />
Até que nasça qualquer dia<br />
Que tu sabes qual é.</p>
<p>… … … … … … … … … … … … … … … … … … …</p>
<p>Esta é a história do meu Menino Jesus.<br />
Por que razão que se perceba<br />
Não  há-de ser ela mais verdadeira<br />
Que tudo quanto os filósofos pensam<br />
E tudo  quanto as religiões ensinam ?</p>
<p>Alberto Caeiro / Fernando Pessoa</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jgoncalvespref.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jgoncalvespref.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jgoncalvespref.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jgoncalvespref.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jgoncalvespref.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jgoncalvespref.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jgoncalvespref.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jgoncalvespref.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jgoncalvespref.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jgoncalvespref.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jgoncalvespref.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jgoncalvespref.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jgoncalvespref.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jgoncalvespref.wordpress.com/24/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=24&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>grande sertão historia de amor</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 00:18:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jgoncalvespref</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[No livro pelo menos quatro pontos são destacados pelos estudiosos: o enredo, a paisagem, a poesia e a metafísica. A complexidade surpreende o leitor desavisado. A narração é cheia de labirintos e armadilhas. É difícil, quase impossível encontrar uma trilha aceitável. Feita a escolha, em poucas linhas seguintes, percebe-se que é o caminho errado: pelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=18&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No livro pelo menos quatro pontos são destacados pelos estudiosos: o enredo, a paisagem, a poesia e a metafísica. A complexidade surpreende o leitor desavisado. A narração é cheia de labirintos e armadilhas. É difícil, quase impossível encontrar uma trilha aceitável. Feita a escolha, em poucas linhas seguintes, percebe-se que é o caminho errado: pelo menos a história parece seguir em outra direção.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">A linearidade esperada passa a não ter importância, depois que se consegue &#8220;entrar&#8221; na obra. Nela está flagrante a linguagem oral e subterrânea a linguagem culta. Só um gênio conseguiria contar os episódios, ou &#8220;causos&#8221; de modo tão saboroso, homenageando aquele falar característico do grande sertão.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Muitas pistas são fornecidas ao leitor. A maioria delas é falsa. Uma vez que você consegue penetrar nesse cipoal aparentemente indevassável, a narrativa flui rapidamente.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Uma redução perigosa é afirmar que Riobaldo é apenas um indivíduo apaixonado. Realmente ele ama intensamente Diadorim, um amor interdito, mas não segundo a narrativa que deixa para o final a surpresa terrível. Riobaldo não sabe o que Diadorim sabe, mas ambos estão verdadeiramente apaixonados.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O engano fatal também acontece para o apaixonado Romeu que não se conforma com a &#8220;morte&#8221; da amada.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">A declaração de amor que Riobaldo passa para o leitor é uma página maior da literatura nacional: &#8220;Aquele lugar, o ar. Primeiro, fiquei sabendo que gostava de Diadorim – de amor mesmo amor, mal encoberto em amizade. ( p. 264)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Outras frases do livro sobre o amor, com indicação das páginas da edição comemorativa de 50 anos, da Editora Nova Fronteira: <span> </span><strong><span> </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim, penso também &#8211; mas Diadorim é a minha neblina. (20)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O amor, já de si, é algum arrependimento. (35)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Coração mistura amores. Tudo cabe. (171)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Ah, a flor do amor tem muitos nomes. (173)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Homem como eu não é todo capaz de guardar a parte de amor, em desde que recebe muitas ofensas de desdém. Só que, depois, o que há, é a alma assim meio adoecida. Digo, fiquei lazo. (210)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Um Diadorim só para mim. Tudo tem seus mistérios. Eu não sabia. (265)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O pássaro que se separa de outro, vai voando adeus o tempo todo. (405)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Quieto; muito quieto é que a gente chama o amor: como em quieto as coisas chamam a gente. (424)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O amor dá as costas a toda reprovação. (427)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O amor só mente para dizer maior verdade. (445)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Dói sempre na gente, alguma vez, todo amor achável, que algum dia se desprezou &#8230; (476)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
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		<title>MAIO INCENDIADO</title>
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		<pubDate>Wed, 28 May 2008 02:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jgoncalvespref</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sequestro]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Roman Jakobson, conceituado mestre de lingüística, ao escrever sobre o conceito da função poética, recordava dois modos básicos de arranjo utilizados: a seleção e a combinação. A seleção seria feita através de critérios específicos de equivalência e dessemelhança, sinonímia e antonímia. A combinação levaria à construção da seqüência e estaria fundamentada na contigüidade. Esta tradicional [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=8&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roman Jakobson, conceituado mestre de lingüística, ao escrever sobre o conceito da função poética, recordava dois modos básicos de arranjo utilizados: a seleção e a combinação. A seleção seria feita através de critérios específicos de equivalência e dessemelhança, sinonímia e antonímia. A combinação levaria à construção da seqüência e estaria fundamentada na contigüidade.</p>
<p>Esta tradicional conceituação da poesia está hoje bem dissipada nos meios de comunicação em massa, onde prevalece a velocidade das informações. O público quer estar informado de tudo e se possível na hora mesma do acontecido. Um desastre, uma inundação, um terremoto, um incêndio, tudo isto deixa de ter interesse se for transmitido dias depois da ocorrência. Passa então a só ter valor histórico ou estatístico.</p>
<p>É um mundo cruel que deve ser levado ao conhecimento da população ávida.</p>
<p>A televisão é sem dúvida o instrumento ideal para veicular essas notícias desagradáveis. Tal como na fase primeira da ação poética, é preciso fazer uma seleção das misérias que serão apresentadas ao povo, equiparado ao agente antropofágico. As pessoas passam a devorar as notícias.</p>
<p>A questão primeira que surge ao mais descuidado observador é a seguinte. Como é feita a &#8220;seleção&#8221; dos assuntos que são levados ao público?</p>
<p>Além de se perguntar dos critérios objetivos para a escolha, paira outra indagação mais perigosa, de saber &#8220;quem&#8221; faz a escolha. Neste ponto a mistura é explosiva e está vinculada a uma amplitude mundial.</p>
<p>Com a TV a cabo, em qualquer lugar do planeta alcançado pelas ondas, as notícias são exatamente as mesmas. Os temas não variam. O que é noticiado aqui pode ser levado para quase todos os países. Inversamente o que vem de fora chega ao Brasil e outro povos imediatamente.</p>
<p>Abandonando essa perspectiva internacional, ou mais modestamente, ocidental, o Brasil recebeu neste mês de maio uma série de notícias terríveis, todas elas marcadas mais ou menos pela desgraça.</p>
<p>Morreu a menina Isabella, de cinco anos, arremessada do sexto andar do prédio em que estava na companhia do pai e da madrasta, acusados da autoria da monstruosidade.</p>
<p>Em paralelo, lembrando um rastilho de pólvora, um menino de apenas onze anos é assassinado por assaltante, apenas  pelo fato de ter reconhecido o criminoso.</p>
<p>Mortes no trânsito passam também a freqüentar as telinhas.</p>
<p>Com grave impacto, surgem notícias várias de tortura infantil, como o caso da menina amarrada a uma escada e seviciada pela mulher que a acolhia na própria casa.</p>
<p>As manchetes se sucedem e espalham verdadeiro terror.</p>
<p>Os sem terra desafiam o poder constituído, impedindo a passagem dos trens que transportam minério de Carajás.  Estradas são interrompidas aqui e ali pela mesma organização.</p>
<p>Índios agridem engenheiro com bordunas e facões como forma de protesto contra injustiças praticadas contra essa minoria oprimida há séculos.  Um cacique declara indignado que está sendo decretada uma nova guerra &#8220;mundial&#8221;, caso se concretize a construção de represa, agressora do meio ambiente e da sobrevivência do povo indígena.</p>
<p>Na zona sul da capital um incêndio provoca paralisação gigante no trânsito. Em Paraisópolis, que não surpreenda o nome, favelados fecham a avenida principal em protesto também contra injustiças perpetradas contra eles.</p>
<p>Também fora do Brasil, as notícias são alarmantes. O lixo em Nápoles atinge proporções inimagináveis e provoca doenças graves e revolta da população descrente com o governo. A confusão é generalizada, com a procura de culpados, numa conflitante acusação de preconceitos, contra os italianos, ou contra os imigrantes, estes, quando encontrados, rigorosamente   expulsos da Itália.</p>
<p>Mais perto daqui, na aprazível Buenos Aires, a poeira do vulcão chileno chega ameaçadora, depois de atravessar mais de mil quilômetros.</p>
<p>Parece que neste mês de maio, que deveria ser frio mas não é, o Apocalipse está bem mais perto do que se pensa.  Fiquei mais otimista provando do próprio veneno. A Televisão Espanhola trouxe um filme  documentário sobre a inundação que ocorreu aos 13 de outubro de 1957, em Valência, quando o rio Turia inundou mais de dois terços da cidade, provocando centenas de mortos e desaparecidos. Pensei, sinistramente, só para aliviar a tensão provocada por essas notícias tristes, que há cinqüenta anos atrás já aconteciam tragédias. O aquecimento global parece que não é o único vilão nessa estória toda.</p>
<p>A pausa de tranqüilidade foi rápida. Alguns dias depois aconteciam tragédias de muito maior gravidade em número de mortos e desaparecidos, o tufão que arrasou Myanmar e o terremoto na China, igualmente terrível.</p>
<p>É certo que esses últimos episódios noticiados na televisão, com lances dramáticos, não foram acompanhados por uma preocupação voltada às causas dos acontecimentos, à prevenção e ao auxílio aos desabrigados.</p>
<p>Tudo indica que uma abordagem nesse sentido não desperta maior interesse para os &#8220;consumidores&#8221; da notícia. É um tema menor.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jgoncalvespref.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jgoncalvespref.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jgoncalvespref.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jgoncalvespref.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jgoncalvespref.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jgoncalvespref.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jgoncalvespref.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jgoncalvespref.wordpress.com/8/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=8&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>RIOBALDO E HITLER</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Feb 2007 02:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jgoncalvespref</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Sertão Veredas  Riobaldo]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis o título escolhido por Roberto Pompeu de Toledo para seu ensaio na última página da revista &#8220;Veja&#8221; do dia 14 de fevereiro de 2007. Narra o ensaísta episódio constante do livro “Ave Palavra”, a visita de Guimarães Rosa a uma velha senhora de mais de 90 anos, na tumultuada Hamburgo do começo da década [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=7&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--> Eis o título escolhido por Roberto Pompeu de Toledo para seu ensaio na última página da<span> </span>revista &#8220;Veja&#8221; do dia 14 de fevereiro de 2007.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Narra o ensaísta episódio constante do livro “Ave Palavra”, a visita de Guimarães Rosa a uma velha senhora de mais de 90 anos, na tumultuada Hamburgo do começo da década de 40, onde atuava como cônsul adjunto. A velha, que fora casada com um judeu no Brasil, tentava salvar a filha, considerada mestiça perante a legislação da Alemanha nazista.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Era o período de bombardeios,<span> </span>perseguições, morte e medo,<span> </span>entre 1938 e 1942. Rosa<span> </span>descreveu com maestria essa passagem, registrada em sua obra póstuma “Ave Palavra” (5ª edição, p. 152).<span> </span>Entretanto, apesar de estampidos, sirenes e alarmes, no meio de tudo isso, o escritor<span> </span>registrava em seu diário passeios ao teatro e visita a locais turísticos, como as casas de Goethe e Schiller em Weimar.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">O ponto central da crônica, porém, é a constatação de que apesar da guerra a vida continuava, os operários realizavam seu trabalho nas fábricas, lojistas, pedreiros, feirantes,<span> </span>e inclusive escritores continuavam a produzir. Era realmente surpreendente que a guerra parecia não afetar a comunidade em geral, ressalvado o terror inenarrável sentido pelos perseguidos,<span> </span>pelas vítimas do regime brutal.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">A idéia central, porém, não se reflete adequadamente no título. Ave palavras! O leitor menos atento poderá sentir uma afinidade, pelo menos sonora entre Riobaldo e Hitler. O pobre jagunço letrado parece associado ao celerado criador do nazismo. A pronúncia das duas primeiras sílabas é praticamente igual.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Pode-se concluir entretanto que a comparação entre as duas personagens é apenas episódica, talvez uma distante fonte de inspiração para a criação do Grande Sertão: Veredas.<span> </span>É provável que<span> </span>a idéia da personagem central (Riobaldo) já estivesse naquela época, em gestação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Mas o título continua a martelar na mente dos leitores. Seria Riobaldo o<span> </span>demônio, da mesma forma que Hitler?<span> </span>Quanta injustiça para com o honesto Riobaldo, guiado sempre pela ética dos jagunços das gerais.<span> </span>Um homem que soube resistir às tentações demoníacas, apelando em várias passagens para a Virgem Maria.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Diz Riobaldo, quando tentado a cometer inútil assassinato: “A porque, sem prazo, se esquentou em mim o dôido afã de matar aquele homem, tresmatado “&#8230;<span> </span>e logo em seguida “o demo então era eu mesmo?” . Finalmente confessou em desabafo já aguardado pelo leitor: “Sendo que mal resisti, nas ultimas, saiba o senhor. Ah, mas. E é preciso, por aí, o senhor ver: quem é que era e que foi aquele jagunço Riobaldo! Pois em instantâneo eu achei a doçura de Deus: e eu clamei pela Virgem &#8230; Agarrei tudo em escuros – mas sabendo de minha Nossa Senhora!” (p. 430)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">A mensagem de Riobaldo, nessa página candente do Grande Sertão, deve ter a repercussão apropriada, mesmo depois de meio século da gestação da personagem central do romance.<span> </span>Não, decididamente ele não pode ser associado, nem de leve, ao endemoniado criador do nazismo. Mesmo sendo jagunço, ele procurou sempre encontrar aquele caminho certo. Nem sempre, é verdade, teve sucesso nessa empreitada.<span> </span>Reconhecendo eventuais erros, é incisivo ao afirmar: “Miséria na minha mão. Mas minha alma tem de ser de Deus: se não, como é que ela pode ser minha?<span> </span>(p. 442)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Muitas outras passagens podem ser lembradas que confirmam o caráter íntegro<span> </span>de Riobaldo.<span> </span>O verdadeiro demônio, que permeia todo o romance, é na verdade o Hermógenes, o pactuário por excelência. Aquele que matou à traição o pai de Diadorim.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Guimarães Rosa não dá muitas explicações a respeito da maldade associada ao Hermógenes, traidor que não mereceu muitas palavras<span> </span>no romance. Parece<span> </span>estar oculto em todos os episódios descritos, oculto mas presente. Sempre está com aquela presença forte. A sua força maligna existe desde o início do romance: não precisa de muitas palavras.<span> </span>O mal para se fazer efetivo não precisa de descrição. Basta ser sentido por todos aqueles que rotineiramente levam suas vidas burocráticas, esquecidos de sua presença.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;">Estes são os homens indiferentes, que devem ser “tocados” pela obra de arte verdadeira. Só ela poderá ajudar na eliminação da indiferença à dor dos semelhantes.<span> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align:justify;"><span> </span><strong><span><br />
</span></strong></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jgoncalvespref.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jgoncalvespref.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jgoncalvespref.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jgoncalvespref.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jgoncalvespref.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jgoncalvespref.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jgoncalvespref.wordpress.com/7/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jgoncalvespref.wordpress.com/7/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jgoncalvespref.wordpress.com&amp;blog=6378149&amp;post=7&amp;subd=jgoncalvespref&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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