PORTO FINAL, PORTUGAL

Queremos a ilusão grande do mar,

multiplicada em suas malhas de perigo.

(Cecília Meireles, Mar absoluto)

O tempo das caravelas passou,

por séculos as velas foram sopradas

e dominaram as curvas da ventania.

Só vale a direção reta,

que não leva aos encontros,

esquecidas as magras confluências,

desprezados os balões de retorno,

os desvios do mapa simbólico.

Ficaram lá longe os fados e as esposas,

as conversas livres, as mesinhas na calçada,

os bares informais

e os botequins nas esquinas escurecidas pela noite.

Os bons ventos imprimiram os rumos escolhidos,

deram sentido às rotas traçadas,

dissolveram as forças destruidoras das curvas,

marcaram os caminhos desejados.

Barcos sem desvios,

o porto final é alcançado,

vencidas as calmarias e derrotados os gigantes.

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de Primavera

Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
“Se é que ele as criou, do que duvido.” -
“Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.”
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

… … … … … … … … … … … … … … … … … … …

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

Alberto Caeiro / Fernando Pessoa

grande sertão historia de amor

No livro pelo menos quatro pontos são destacados pelos estudiosos: o enredo, a paisagem, a poesia e a metafísica. A complexidade surpreende o leitor desavisado. A narração é cheia de labirintos e armadilhas. É difícil, quase impossível encontrar uma trilha aceitável. Feita a escolha, em poucas linhas seguintes, percebe-se que é o caminho errado: pelo menos a história parece seguir em outra direção.

A linearidade esperada passa a não ter importância, depois que se consegue “entrar” na obra. Nela está flagrante a linguagem oral e subterrânea a linguagem culta. Só um gênio conseguiria contar os episódios, ou “causos” de modo tão saboroso, homenageando aquele falar característico do grande sertão.

Muitas pistas são fornecidas ao leitor. A maioria delas é falsa. Uma vez que você consegue penetrar nesse cipoal aparentemente indevassável, a narrativa flui rapidamente.

Uma redução perigosa é afirmar que Riobaldo é apenas um indivíduo apaixonado. Realmente ele ama intensamente Diadorim, um amor interdito, mas não segundo a narrativa que deixa para o final a surpresa terrível. Riobaldo não sabe o que Diadorim sabe, mas ambos estão verdadeiramente apaixonados.

O engano fatal também acontece para o apaixonado Romeu que não se conforma com a “morte” da amada.

A declaração de amor que Riobaldo passa para o leitor é uma página maior da literatura nacional: “Aquele lugar, o ar. Primeiro, fiquei sabendo que gostava de Diadorim – de amor mesmo amor, mal encoberto em amizade. ( p. 264)

Outras frases do livro sobre o amor, com indicação das páginas da edição comemorativa de 50 anos, da Editora Nova Fronteira:

Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim, penso também – mas Diadorim é a minha neblina. (20)

O amor, já de si, é algum arrependimento. (35)

Coração mistura amores. Tudo cabe. (171)

Ah, a flor do amor tem muitos nomes. (173)

Homem como eu não é todo capaz de guardar a parte de amor, em desde que recebe muitas ofensas de desdém. Só que, depois, o que há, é a alma assim meio adoecida. Digo, fiquei lazo. (210)

Um Diadorim só para mim. Tudo tem seus mistérios. Eu não sabia. (265)

O pássaro que se separa de outro, vai voando adeus o tempo todo. (405)

Quieto; muito quieto é que a gente chama o amor: como em quieto as coisas chamam a gente. (424)

O amor dá as costas a toda reprovação. (427)

O amor só mente para dizer maior verdade. (445)

Dói sempre na gente, alguma vez, todo amor achável, que algum dia se desprezou … (476)

MAIO INCENDIADO

Roman Jakobson, conceituado mestre de lingüística, ao escrever sobre o conceito da função poética, recordava dois modos básicos de arranjo utilizados: a seleção e a combinação. A seleção seria feita através de critérios específicos de equivalência e dessemelhança, sinonímia e antonímia. A combinação levaria à construção da seqüência e estaria fundamentada na contigüidade.

Esta tradicional conceituação da poesia está hoje bem dissipada nos meios de comunicação em massa, onde prevalece a velocidade das informações. O público quer estar informado de tudo e se possível na hora mesma do acontecido. Um desastre, uma inundação, um terremoto, um incêndio, tudo isto deixa de ter interesse se for transmitido dias depois da ocorrência. Passa então a só ter valor histórico ou estatístico.

É um mundo cruel que deve ser levado ao conhecimento da população ávida.

A televisão é sem dúvida o instrumento ideal para veicular essas notícias desagradáveis. Tal como na fase primeira da ação poética, é preciso fazer uma seleção das misérias que serão apresentadas ao povo, equiparado ao agente antropofágico. As pessoas passam a devorar as notícias.

A questão primeira que surge ao mais descuidado observador é a seguinte. Como é feita a “seleção” dos assuntos que são levados ao público?

Além de se perguntar dos critérios objetivos para a escolha, paira outra indagação mais perigosa, de saber “quem” faz a escolha. Neste ponto a mistura é explosiva e está vinculada a uma amplitude mundial.

Com a TV a cabo, em qualquer lugar do planeta alcançado pelas ondas, as notícias são exatamente as mesmas. Os temas não variam. O que é noticiado aqui pode ser levado para quase todos os países. Inversamente o que vem de fora chega ao Brasil e outro povos imediatamente.

Abandonando essa perspectiva internacional, ou mais modestamente, ocidental, o Brasil recebeu neste mês de maio uma série de notícias terríveis, todas elas marcadas mais ou menos pela desgraça.

Morreu a menina Isabella, de cinco anos, arremessada do sexto andar do prédio em que estava na companhia do pai e da madrasta, acusados da autoria da monstruosidade.

Em paralelo, lembrando um rastilho de pólvora, um menino de apenas onze anos é assassinado por assaltante, apenas  pelo fato de ter reconhecido o criminoso.

Mortes no trânsito passam também a freqüentar as telinhas.

Com grave impacto, surgem notícias várias de tortura infantil, como o caso da menina amarrada a uma escada e seviciada pela mulher que a acolhia na própria casa.

As manchetes se sucedem e espalham verdadeiro terror.

Os sem terra desafiam o poder constituído, impedindo a passagem dos trens que transportam minério de Carajás.  Estradas são interrompidas aqui e ali pela mesma organização.

Índios agridem engenheiro com bordunas e facões como forma de protesto contra injustiças praticadas contra essa minoria oprimida há séculos.  Um cacique declara indignado que está sendo decretada uma nova guerra “mundial”, caso se concretize a construção de represa, agressora do meio ambiente e da sobrevivência do povo indígena.

Na zona sul da capital um incêndio provoca paralisação gigante no trânsito. Em Paraisópolis, que não surpreenda o nome, favelados fecham a avenida principal em protesto também contra injustiças perpetradas contra eles.

Também fora do Brasil, as notícias são alarmantes. O lixo em Nápoles atinge proporções inimagináveis e provoca doenças graves e revolta da população descrente com o governo. A confusão é generalizada, com a procura de culpados, numa conflitante acusação de preconceitos, contra os italianos, ou contra os imigrantes, estes, quando encontrados, rigorosamente   expulsos da Itália.

Mais perto daqui, na aprazível Buenos Aires, a poeira do vulcão chileno chega ameaçadora, depois de atravessar mais de mil quilômetros.

Parece que neste mês de maio, que deveria ser frio mas não é, o Apocalipse está bem mais perto do que se pensa.  Fiquei mais otimista provando do próprio veneno. A Televisão Espanhola trouxe um filme  documentário sobre a inundação que ocorreu aos 13 de outubro de 1957, em Valência, quando o rio Turia inundou mais de dois terços da cidade, provocando centenas de mortos e desaparecidos. Pensei, sinistramente, só para aliviar a tensão provocada por essas notícias tristes, que há cinqüenta anos atrás já aconteciam tragédias. O aquecimento global parece que não é o único vilão nessa estória toda.

A pausa de tranqüilidade foi rápida. Alguns dias depois aconteciam tragédias de muito maior gravidade em número de mortos e desaparecidos, o tufão que arrasou Myanmar e o terremoto na China, igualmente terrível.

É certo que esses últimos episódios noticiados na televisão, com lances dramáticos, não foram acompanhados por uma preocupação voltada às causas dos acontecimentos, à prevenção e ao auxílio aos desabrigados.

Tudo indica que uma abordagem nesse sentido não desperta maior interesse para os “consumidores” da notícia. É um tema menor.

RIOBALDO E HITLER

Eis o título escolhido por Roberto Pompeu de Toledo para seu ensaio na última página da revista “Veja” do dia 14 de fevereiro de 2007.

Narra o ensaísta episódio constante do livro “Ave Palavra”, a visita de Guimarães Rosa a uma velha senhora de mais de 90 anos, na tumultuada Hamburgo do começo da década de 40, onde atuava como cônsul adjunto. A velha, que fora casada com um judeu no Brasil, tentava salvar a filha, considerada mestiça perante a legislação da Alemanha nazista.

Era o período de bombardeios, perseguições, morte e medo, entre 1938 e 1942. Rosa descreveu com maestria essa passagem, registrada em sua obra póstuma “Ave Palavra” (5ª edição, p. 152). Entretanto, apesar de estampidos, sirenes e alarmes, no meio de tudo isso, o escritor registrava em seu diário passeios ao teatro e visita a locais turísticos, como as casas de Goethe e Schiller em Weimar.

O ponto central da crônica, porém, é a constatação de que apesar da guerra a vida continuava, os operários realizavam seu trabalho nas fábricas, lojistas, pedreiros, feirantes, e inclusive escritores continuavam a produzir. Era realmente surpreendente que a guerra parecia não afetar a comunidade em geral, ressalvado o terror inenarrável sentido pelos perseguidos, pelas vítimas do regime brutal.

A idéia central, porém, não se reflete adequadamente no título. Ave palavras! O leitor menos atento poderá sentir uma afinidade, pelo menos sonora entre Riobaldo e Hitler. O pobre jagunço letrado parece associado ao celerado criador do nazismo. A pronúncia das duas primeiras sílabas é praticamente igual.

Pode-se concluir entretanto que a comparação entre as duas personagens é apenas episódica, talvez uma distante fonte de inspiração para a criação do Grande Sertão: Veredas. É provável que a idéia da personagem central (Riobaldo) já estivesse naquela época, em gestação.

Mas o título continua a martelar na mente dos leitores. Seria Riobaldo o demônio, da mesma forma que Hitler? Quanta injustiça para com o honesto Riobaldo, guiado sempre pela ética dos jagunços das gerais. Um homem que soube resistir às tentações demoníacas, apelando em várias passagens para a Virgem Maria.

Diz Riobaldo, quando tentado a cometer inútil assassinato: “A porque, sem prazo, se esquentou em mim o dôido afã de matar aquele homem, tresmatado “… e logo em seguida “o demo então era eu mesmo?” . Finalmente confessou em desabafo já aguardado pelo leitor: “Sendo que mal resisti, nas ultimas, saiba o senhor. Ah, mas. E é preciso, por aí, o senhor ver: quem é que era e que foi aquele jagunço Riobaldo! Pois em instantâneo eu achei a doçura de Deus: e eu clamei pela Virgem … Agarrei tudo em escuros – mas sabendo de minha Nossa Senhora!” (p. 430)

A mensagem de Riobaldo, nessa página candente do Grande Sertão, deve ter a repercussão apropriada, mesmo depois de meio século da gestação da personagem central do romance. Não, decididamente ele não pode ser associado, nem de leve, ao endemoniado criador do nazismo. Mesmo sendo jagunço, ele procurou sempre encontrar aquele caminho certo. Nem sempre, é verdade, teve sucesso nessa empreitada. Reconhecendo eventuais erros, é incisivo ao afirmar: “Miséria na minha mão. Mas minha alma tem de ser de Deus: se não, como é que ela pode ser minha? (p. 442)

Muitas outras passagens podem ser lembradas que confirmam o caráter íntegro de Riobaldo. O verdadeiro demônio, que permeia todo o romance, é na verdade o Hermógenes, o pactuário por excelência. Aquele que matou à traição o pai de Diadorim.

Guimarães Rosa não dá muitas explicações a respeito da maldade associada ao Hermógenes, traidor que não mereceu muitas palavras no romance. Parece estar oculto em todos os episódios descritos, oculto mas presente. Sempre está com aquela presença forte. A sua força maligna existe desde o início do romance: não precisa de muitas palavras. O mal para se fazer efetivo não precisa de descrição. Basta ser sentido por todos aqueles que rotineiramente levam suas vidas burocráticas, esquecidos de sua presença.

Estes são os homens indiferentes, que devem ser “tocados” pela obra de arte verdadeira. Só ela poderá ajudar na eliminação da indiferença à dor dos semelhantes.


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